Ceplac diz em NOTA TÉCNICA que doença do cacau não é Lasiodiplodia, busca identificação e orienta produtores

A Ceplac emitiu NOTA TÉCNICA a respeito de notícia amplamente divulgada na região, especialmente entre produtores de cacau, intitulada “Doença que mata cacaueiros pode se alastrar no Sul da Bahia”. Transcrevemos a seguir a nota da Ceplac, observando que continuam chegando à redação do Radarbahianews novas denúncias de ocorrência da doença como no município de Itapebi.
NOTA TÉCNICA
O Chefe do Centro de Pesquisas do Cacau (Cepec/Ceplac) vem ao público em geral e especialmente aos produtores de cacau informar:
1) No final de 2019, a Ceplac foi notificada que em várias propriedades dos municípios de Uruçuca e Ilhéus, estava ocorrendo mortalidade dos clones de cacau BN34, CCN51, PS13.19;
2) Em prospecção nas propriedades foi realizada coleta de ramos com sintomas de secamento, desfolha, engrossamento da superfície da casca e internamente, escurecimento do xilema e floema, nitidamente obstruídos com estrias de coloração amarronzada (corte longitudinal) e pontuações (corte transversal). Foram encontradas também plantas mortas. O material coletado foi analisado na Clínica Fitopatológica no Cepec, realizando o isolamento do possível agente causal;
3) Pela sintomatologia de campo, inicialmente suspeitou-se ser Cancro de Lasiodiplodia, cujo agente causal é o fungo Lasiodiplodia theobromae. Entretanto, em nenhum dos isolamentos realizados no material coletado foi encontrado este fungo;
4) Em setembro de 2020, outro cacauicultor na mesma região solicitou visita alegando o mesmo problema. Novo material foi coletado e desta vez foi identificado o fungo Nodulisporium sp. (família Xilariaceae) com potencial patogênico e pouco estudado. A esta família pertence o conhecido patógeno Rossellinia pepo, fungo que ataca o sistema radicular do cacau;
5) Como a identificação do agente causal até o momento não foi conclusiva, fitopatologistas e extensionistas da Ceplac:
a. Efetuarão nova coleta de material infectado em diferentes propriedades em Uruçuca e Banco do Pedro, para verificar a sua ocorrência ou de outro agente causal;
b. Realizarão procedimentos internacionalmente padronizados no material coletado para diagnosticar o agente causal da doença;
c. Realizarão prospecções na região cacaueira para determinar a extensão da área infectada.
6) Como recomendação preventiva de manejo, a Ceplac orienta que os produtores evitem realizar cortes em troncos e galhos com facão ou podão. Em caso de necessidade realizar limpeza das ferramentas com hipoclorito de sódio (água sanitária 1%). O transporte do hipoclorito deve ser em recipiente NÃO TRANPARENTE, pois o cloro se degrada com a luz UV.
Ceplac, Ilhéus 26 de outubro de 2020
RAÚL RENÉ VALLE - Chefe, Cepec


