Turistas brasileiros em Lisboa não conseguem retornar ao país e pedem ajuda

Os 1.888 passageiros do Cruzeiro Soberano, da Pullmantur, que deixaram o Brasil há 15 dias, rumo a Portugal, estão pedindo ajuda para deixar a Europa e retornar para casa. Nesta terça-feira (17/3), um grupo representando os turistas se reuniu em frente ao consulado brasileiro em Lisboa e fez um vídeo para expor a situação que todos estão vivendo, sem ter onde ficar e como viajar de volta ao Brasil.
A grande maioria é de brasileiros que tinham planos de viajar pelo continente europeu antes de a epidemia do coronavírus se tornar uma pandemia. Sem ter como seguir viagem ou remarcar as passagens de volta, o grupo aguarda medidas do governo brasileiro e também um posicionamento da CVC, empresa da qual compraram os pacotes, para saber como serão acomodados até que a situação seja resolvida.
Maurício da Rosa, 53 anos, viajou com a mulher Andrea Fernandes Rosa, e os filhos Gabriela e Matheus, para encontrar Bruna, que mora em Barcelona há um ano. “Saímos do Brasil há 15 dias, quando havia apenas dois casos suspeitos no país”, conta. O cruzeiro, com origem em Salvador e Recife e Portugal como destino, foi impedido de atracar em Lisboa e os passageiros só conseguiram desembarcar em Cádiz.
Ainda assim a autoridade portuária da Baía de Cádiz informou que “trata-se de uma exceção à ordem aprovada pelo conselho de ministros na passada quinta-feira, pela qual se proibia o atraque de cruzeiros em qualquer porto do país até ao próximo dia 26 de março, devido ao risco de propagação do Covid-19”. Os passageiros foram impedidos de voltar a entrar no cruzeiro, e 50 ônibus os levaram a Lisboa. “Os veículos foram escoltados”, recorda Maurício.
Segundo ele, que é gaúcho e mora em Porto Alegre, o primeiro-ministro português, António Costa, fez comentários contrários ao desembarque dos brasileiros pelas redes sociais. “Estamos à própria sorte. A CVC não está nos dando suporte. As companhias aéreas não estão remarcando as passagens. Apesar de constar que a troca é gratuita no site da empresa, é preciso pagar 500 euros. E quem comprou um novo bilhete também não está conseguindo viajar”, lamentou.
Maurício ressaltou que o grupo decidiu ir para a porta do consulado brasileiro em Lisboa. “Somos brasileiros e queremos voltar para o Brasil. Queremos uma posição. Conseguimos que algumas pessoas entrassem para representar os grupos, pois mais de mil brasileiros estão presos aqui em Lisboa”, afirmou. (Correio Braziliense)


